Love and Destroy

Modelo: L.       Fotografia: Bruno Ribeiro       Arte: L.

“Há mais ou menos uns dois anos comecei a participar de um curso de desenho com modelo vivo, com o objetivo de desenvolver minhas técnicas de desenho do corpo humano. No início a experiência de observação do corpo nu pareceu um tanto constrangedora, mas aos poucos fui me acostumando, e através da atividade acabei aprendendo também a encarar a nudez como algo natural, além de desenvolver a minha percepção de beleza em todos os tipos de corpos. Tive a oportunidade ainda de trocar ideias com alguns dos modelos, e através de seus relatos pude entender um pouco mais como era a experiência de posar nu. O relato mais marcante foi de uma modelo que disse ter adorado ver os desenhos prontos e descobrir como seu próprio corpo era percebido na visão do artista. Conversas como esta foram aos poucos despertando minha curiosidade de saber como seria estar do outro lado: ser o objeto de estudo de um artista, ver meu corpo pelos olhos de outra pessoa. 

Havia apenas um problema que me impedia de ter esse tipo de experiência: minha timidez. Sempre fui muito tímido, e isso me afetou diretamente em vários aspectos, o principal deles sendo minha vida amorosa. Sempre tive dificuldade em iniciar e manter relacionamentos, e como consequência minha vida sexual começou muito mais tarde do que eu gostaria. Para piorar, o que era uma simples timidez foi evoluindo com o tempo, se transformando em intensas crises de ansiedade. Até hoje essa ansiedade me atrapalha e me impede de me sentir à vontade com alguém em momentos de intimidade. Não consigo me abrir, expor meus desejos, conversar sobre minhas dificuldades e, o pior de tudo, não consigo sentir prazer. Sinto a todo momento uma necessidade de superar todas essas experiências negativas, de aprender a lidar com minhas crises, de me livrar dos meus medos e receios causados pela timidez. Sinto uma necessidade constante de me LIBERTAR.

A oportunidade do ensaio surgiu por indicação de uma amiga. Inicialmente tive receio, mas por fim resolvi que tirar as fotos e deixá-las públicas na internet seria uma ótima forma de conquistar essa libertação que tanto busco, além de sanar a minha curiosidade despertada nos cursos de desenho. O ensaio correu super bem apesar do nervosismo inicial (aumentado por conta de uma crise recente de ansiedade), e à medida que a última peça de roupa saía do meu corpo, pude sentir o quão natural era estar ali naquele momento, nu, exposto, sendo observado, fotografado. Foi, de fato, um passo muito importante em direção a essa minha libertação, e espero poder repetir a experiência em breve. (Na verdade, não vejo a hora de marcar a próxima sessão).”

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